Atividade Historia Da Nossa Senhora Aparecida 8o E 9o Ano Com Gabarito PDF

Atividade história da Nossa Senhora Aparecida – 8º e 9º ano – com gabarito (PDF)

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Como uma história atravessa gerações e passa a fazer parte da memória de uma comunidade; A atividade “Uma história às margens do rio”, destinada ao 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, propõe uma leitura do relato do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, considerando sua transmissão como parte da tradição cultural e religiosa brasileira. Pronta para usar, com tudo para sala de aula.

Com uma recontagem literária e um texto informativo, o material trabalha elementos da narrativa, narrador, organização temporal, construção do espaço, escolhas vocabulares e comparação entre textos. As dez questões estimulam inferências e argumentos fundamentados, culminando na produção de um comentário analítico. A abordagem respeita diferentes crenças e pessoas sem religião, sem exigir adesão religiosa dos estudantes.

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Questões

Uma história às margens do rio

Texto 1 — Entre a rede e a memória

Recontagem baseada na tradição católica

Texto autoral. As descrições e imagens de linguagem são recursos literários; não reproduzem testemunhos dos pescadores nem comprovam acontecimentos de fé.

O rio seguia seu curso, indiferente à pressa dos homens. Em suas margens, o trabalho dependia da água, das redes e de uma espera que ninguém conseguia medir. É nesse cenário que a tradição católica situa uma história transmitida por gerações: o encontro de uma pequena imagem que passaria a ser conhecida como Nossa Senhora Aparecida.

Era outubro de 1717, na região da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, no atual estado de São Paulo. Segundo o relato, Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves procuravam peixes no rio Paraíba do Sul. A pesca deveria ajudar a alimentar a comitiva do governante que atravessava a região. Havia uma tarefa a cumprir, mas as primeiras tentativas não traziam o resultado esperado.

Lançar a rede, recolher, lançar outra vez. Na repetição desses movimentos, a narrativa parece alongar a espera. O rio, tão próximo e tão necessário, não oferecia ainda o alimento procurado. A cada tentativa, voltava o contraste entre aquilo que os pescadores buscavam e aquilo que encontravam: quase nada para levar.

Então, perto do Porto Itaguaçu, a sequência se alterou. Na rede lançada por João Alves veio o corpo de uma imagem, sem a cabeça. Mais abaixo, em outro lançamento, apareceu a parte que faltava. O que antes estava separado podia ser reunido. Em vez de alimento, as águas haviam trazido uma figura de barro: uma representação de Nossa Senhora da Conceição.

Os pescadores guardaram as partes e continuaram o trabalho. Conforme a tradição católica, os lançamentos seguintes trouxeram tantos peixes que a escassez deu lugar à abundância. Para os devotos, essa mudança foi entendida como um milagre. No relato, a rede que voltava vazia tornou-se sinal de esperança: carregava peixes e, para quem acreditava, um novo significado.

A história não terminou quando os pescadores deixaram o rio. A imagem foi acolhida pela família, e pessoas da vizinhança passaram a se reunir para rezar. O acontecimento ganhou ouvintes; os ouvintes ajudaram a conservar a narrativa. Entre encontros, lembranças e práticas de devoção, o episódio encontrou outros caminhos.

O rio continuou correndo. A história também, mas de outro modo: levada pelas vozes que a contavam. Nas águas estava o cenário da pesca; na memória compartilhada, formava-se um lugar para aquele encontro. Uma pequena imagem, retirada em duas partes, passava a reunir pessoas em torno de uma tradição.

Texto 2 — Tradição, memória e documentos

O relato do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida é situado em outubro de 1717, no rio Paraíba do Sul, na região então ligada a Guaratinguetá. Sua transmissão envolveu famílias, práticas religiosas e registros escritos. Com a expansão da devoção, novos espaços passaram a acolher os fiéis. Uma igreja foi inaugurada no Morro dos Coqueiros em 1745; o povoado que se desenvolveu em torno desse centro religioso está relacionado à formação de Aparecida, em São Paulo.

O portal do Santuário Nacional menciona um relato registrado em 1757 no Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá. Um livro do tombo reúne registros da vida de uma instituição religiosa. Esse registro foi produzido décadas depois do episódio narrado, e não no momento da pesca.

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Uma narrativa de tradição religiosa transmite experiências e interpretações ligadas à fé. Já a investigação histórica analisa documentos, sua autoria, sua época e suas finalidades, comparando evidências. Essas categorias podem se cruzar: um documento religioso é fonte histórica sobre crenças e práticas, mas sua existência não comprova, por si só, uma explicação sobrenatural.

Assim, a pesca abundante é apresentada como milagre na tradição católica. Estudar essa interpretação permite compreender seus significados para os devotos, sem exigir que todos a compartilhem. A memória coletiva se mantém pela transmissão e pela atribuição de sentidos ao passado. Conhecê-la inclui respeitar outras religiões e pessoas sem religião.

Questões

Nas questões, fundamente as respostas nos textos. Não é necessário declarar crença religiosa. São avaliadas a compreensão, a análise e a argumentação.

01. No Texto 1, identifique os três personagens centrais, a tarefa que os leva ao rio e o acontecimento que modifica a sequência das tentativas de pesca. Explique como esses elementos organizam o enredo.

02. Qual alternativa descreve o narrador do Texto 1? Assinale e justifique com uma marca linguística do texto.

a) Um pescador que conta a própria experiência em primeira pessoa.
b) Um narrador em terceira pessoa que não participa dos acontecimentos e comenta os sentidos do relato.
c) Um pesquisador que presenciou a pesca e apresenta suas anotações.
d) Um morador que reproduz apenas falas registradas dos pescadores.

03. Numere os acontecimentos de 1 a 4, conforme a ordem do Texto 1. Depois, copie uma expressão que marque a passagem para um novo acontecimento.

( ) Os vizinhos passam a se reunir para rezar.
( ) Os pescadores fazem tentativas sem o resultado esperado.
( ) A pesca se torna abundante, segundo a tradição.
( ) As duas partes da imagem são retiradas da água.

04. O rio exerce apenas a função de cenário no Texto 1? Explique seu papel no trabalho dos pescadores e na construção do sentido do último parágrafo. Apoie sua resposta em dois trechos.

05. Releia: “O rio continuou correndo. A história também, mas de outro modo”. Explique o sentido de “correndo” em relação ao rio e à história. Que efeito essa aproximação produz?

06. Qual inferência é sustentada pelo Texto 1? Assinale e apresente um trecho que sustente sua escolha.

a) A narrativa se conservou somente porque os pescadores a escreveram no dia da pesca.
b) Os três pescadores planejavam fundar uma cidade antes de sair.
c) A participação de outras pessoas contribuiu para a continuidade da narrativa.
d) Todas as pessoas da região passaram a interpretar o episódio da mesma maneira.

07. Compare o tratamento da pesca abundante nos dois textos. Como cada um indica que sua interpretação como milagre pertence à tradição católica? Cite uma expressão de cada texto e explique por que essa indicação importa para a leitura crítica.

08. Compare a linguagem e a finalidade dos dois textos. Identifique um recurso literário do Texto 1 e uma explicação conceitual do Texto 2. Em seguida, explique por que o registro de 1757 não deve ser tratado como uma anotação feita no momento da pesca nem como comprovação automática de um milagre.

09. Com base nos dois textos, explique a relação entre memória coletiva, cultura e tradição. Mencione uma forma de transmissão do relato e uma prática ou um espaço que contribuiu para sua continuidade. Conhecer essa tradição exige compartilhá-la? Justifique.

10. Escreva um comentário analítico de 8 a 12 linhas sobre a pergunta: como uma história pode adquirir significados para uma comunidade? Apresente uma ideia central, utilize pelo menos uma evidência de cada texto e explique a relação entre elas. Distinga interpretação religiosa e comprovação histórica. Conclua respeitando a diversidade de crenças, sem precisar declarar sua religião ou ausência dela.

Gabarito da atividade história da Nossa Senhora Aparecida

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Avalie evidências e argumentos, sem avaliar convicções religiosas. Aceite interpretações diferentes quando forem coerentes e sustentadas pelos textos.

01. Os personagens centrais são Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves. Eles procuram peixes para alimentar a comitiva de um governante. A retirada das partes da imagem interrompe a repetição das tentativas frustradas. Esses elementos estabelecem personagens, objetivo, dificuldade inicial e mudança no enredo. A abundância posterior desenvolve essa mudança.

02. Alternativa b. O narrador não se apresenta como participante e se refere aos personagens em terceira pessoa, como em “Os pescadores guardaram as partes”. Também comenta a construção da narrativa e seus sentidos. Não há fundamento para identificá-lo como testemunha histórica.

03. Sequência: 4, 1, 3, 2. Possíveis marcadores: “Então, perto do Porto Itaguaçu” ou “em outro lançamento”. A narrativa segue predominantemente a ordem cronológica: tentativas, encontro, abundância e continuidade da devoção na comunidade.

04. Não. O rio é espaço de trabalho e obtenção de alimento, como indica “o trabalho dependia da água, das redes”. No desfecho, seu movimento aproxima-se simbolicamente da transmissão do relato: “A história também, mas de outro modo”. A expressão “levada pelas vozes que a contavam” relaciona a continuidade da história à memória compartilhada. Aceitar outras interpretações apoiadas em dois trechos.

05. Para o rio, “correndo” indica o movimento da água; para a história, sugere circulação e transmissão entre pessoas e gerações. A aproximação cria uma metáfora de continuidade e liga o cenário natural à memória coletiva. Não significa que a narrativa se desloque fisicamente como a água.

06. Alternativa c. Evidência possível: “O acontecimento ganhou ouvintes; os ouvintes ajudaram a conservar a narrativa”. O texto associa sua permanência à participação coletiva. Não informa que os pescadores escreveram o relato naquele dia, planejavam uma cidade ou convenceram todas as pessoas.

07. No Texto 1, expressões como “Conforme a tradição católica” e “Para os devotos” situam a interpretação religiosa dentro da recontagem. No Texto 2, “é apresentada como milagre na tradição católica” faz essa atribuição de forma explicativa. As marcas permitem reconhecer a perspectiva da fé e distingui-la de uma comprovação histórica, sem desqualificar os devotos.

08. O Texto 1 busca envolver o leitor e recontar o episódio, usando, por exemplo, a repetição em “Lançar a rede, recolher, lançar outra vez” ou a metáfora da história que corre. O Texto 2 contextualiza e esclarece conceitos, como livro do tombo ou investigação histórica. O registro de 1757 é posterior ao episódio situado em 1717. Pode ser estudado como evidência da memória e da devoção, mas sua existência não comprova automaticamente uma causa sobrenatural.

09. A memória coletiva envolve sentidos do passado compartilhados e transmitidos por grupos. A circulação entre ouvintes, os registros escritos e a repetição de práticas ajudam a manter uma tradição cultural e religiosa. Exemplos: reuniões de oração, acolhimento da imagem e igreja no Morro dos Coqueiros. Conhecer e analisar essas práticas não exige adesão religiosa. Avaliar a articulação entre os conceitos e os exemplos, não a crença do estudante.

10. Exemplo de comentário:

Uma história adquire significado coletivo quando as pessoas a transmitem e a relacionam a práticas compartilhadas. No Texto 1, os ouvintes ajudam a conservar a narrativa, que passa da pesca aos encontros da comunidade. No Texto 2, a expansão da devoção se relaciona à construção de uma igreja e à formação de um povoado. Esses exemplos mostram que a memória circula em relatos, espaços e costumes. O registro de 1757 permite estudar essa transmissão, mas não comprova sozinho a interpretação da pesca como milagre. Para os católicos devotos, o episódio tem um sentido de fé; outras pessoas podem estudá-lo por sua importância cultural. O respeito torna possível conhecer esses significados sem exigir uma crença comum.

Critérios para a questão 10 — sugestão: 10 pontos

CritérioPontuaçãoO que avaliar
Ideia central e análise0 a 2 pontosApresenta uma ideia sobre a construção de significados coletivos e a desenvolve, sem apenas resumir a história.
Evidências dos dois textos0 a 3 pontosUtiliza ao menos uma evidência de cada texto (até 2 pontos) e explica sua relação com a ideia central (até 1 ponto).
Distinção entre fé e documentação0 a 2 pontosDiferencia interpretação religiosa, existência de um registro e comprovação histórica.
Organização e clareza0 a 2 pontosOrganiza as ideias com coerência, estabelece conexões e atende à extensão proposta, com linguagem compreensível.
Respeito à diversidade0 a 1 pontoAnalisa a tradição sem generalizar crenças nem desrespeitar devotos, outras religiões ou pessoas sem religião.
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Sobre a Autora

Anna Oliveira

Licenciada em Letras, Anna Clara de Oliveira uniu sua vivência como professora ao interesse pelas possibilidades do ambiente digital, criando o site Atividades Aulas para oferecer recursos práticos e acessíveis a professores e alunos de todo o país.

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