Trabalhar o tema eleições na escola pode ir muito além de explicar conceitos ou responder questões em uma folha de atividades. Quando os alunos têm a oportunidade de participar de uma eleição simulada, todo o processo ganha significado: existem candidatos ou opções, propostas precisam ser apresentadas, escolhas devem ser feitas, votos são depositados em uma urna e, ao final, a turma acompanha a apuração e conversa sobre o resultado.
Pensando nisso, esta proposta foi desenvolvida como uma experiência prática e participativa, que pode ser realizada com turmas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
O professor recebe um kit completo para imprimir, com materiais que permitem organizar uma eleição dentro da própria sala de aula, adaptando a dinâmica à idade e ao nível de desenvolvimento dos estudantes.
A eleição pode envolver, por exemplo, a escolha de um mascote da turma, livro, projeto, proposta para a escola, representante fictício ou chapa criada pelos próprios alunos. Dessa maneira, não é necessário utilizar partidos, candidatos ou campanhas reais.
O foco está no processo de participar, apresentar ideias, ouvir diferentes opiniões, fazer escolhas e compreender que decisões coletivas envolvem responsabilidade e respeito.

Por que trabalhar eleições de forma prática na escola?
Alguns conteúdos são compreendidos com muito mais facilidade quando os alunos podem vivenciá-los.
Em uma eleição simulada, a turma deixa de ser apenas espectadora e passa a participar de todas as etapas da atividade.
Os estudantes podem elaborar propostas, criar materiais de campanha, apresentar suas ideias aos colegas, utilizar uma cédula, colocar o voto em uma urna, acompanhar a contagem e analisar os resultados.
Ao mesmo tempo, a atividade cria situações concretas para conversar sobre temas importantes para a convivência escolar, como respeitar opiniões diferentes, esperar a própria vez de falar, argumentar sem atacar outra pessoa, aceitar resultados coletivos e compreender que fazer uma escolha também envolve avaliar informações.
A proposta também favorece um trabalho interdisciplinar.
Na Língua Portuguesa, podem ser exploradas leitura, produção de slogans, elaboração de propostas, argumentação e oralidade.
Na Matemática, aparecem situações reais de contagem, comparação de quantidades, construção de tabelas e gráficos e, com os alunos maiores, cálculo de porcentagens.
Também é possível relacionar a atividade às discussões sobre convivência, responsabilidade, participação e organização coletiva.
Objetivos da atividade
Com a realização da atividade Eleições na Escola, espera-se que os alunos possam:
- participar de uma situação coletiva de escolha;
- compreender, na prática, as etapas de uma eleição simulada;
- perceber a importância de conhecer propostas antes de tomar uma decisão;
- desenvolver autonomia para fazer escolhas;
- aprender a ouvir e respeitar opiniões diferentes das suas;
- exercitar a expressão oral e a argumentação;
- elaborar ideias e propostas relacionadas à realidade da turma ou da escola;
- diferenciar uma ideia desejável de uma proposta que realmente pode ser colocada em prática;
- compreender a importância de regras iguais para todos os participantes;
- participar de uma votação organizada e secreta;
- acompanhar processos de contagem e apuração;
- registrar e interpretar resultados;
- trabalhar tabelas, gráficos, quantidades e porcentagens de acordo com o ano escolar;
- refletir sobre o resultado de uma decisão coletiva;
- compreender que participar também significa saber lidar com resultados diferentes da própria escolha.
O objetivo não é transformar a atividade em uma disputa entre os alunos, mas utilizar a eleição como uma situação de aprendizagem.
Por isso, todo o processo é tão importante quanto o resultado final.

Como funciona a atividade Eleições na Escola?
O professor pode adaptar a eleição para aquilo que fizer mais sentido para sua turma.
Antes de iniciar, é importante definir o que será escolhido.
Com crianças menores, não é necessário trabalhar com candidatos. A eleição pode ser feita entre personagens, animais, livros, brincadeiras, nomes ou símbolos.
Com os alunos maiores, a proposta pode evoluir para candidaturas fictícias, chapas e projetos destinados a resolver problemas ou melhorar algum aspecto da vida escolar.
Depois de apresentar a dinâmica, o professor pode organizar as diferentes etapas utilizando os materiais do kit:
- apresentação da proposta;
- definição do que será eleito;
- inscrição dos candidatos ou organização das opções;
- elaboração das propostas;
- preparação dos materiais de campanha;
- apresentação das candidaturas;
- organização dos eleitores;
- votação;
- abertura da urna;
- contagem e registro dos votos;
- apuração;
- construção do gráfico;
- divulgação do resultado;
- reflexão coletiva após a eleição.
Nem todas as etapas precisam ser realizadas da mesma maneira em todas as turmas.
É justamente essa flexibilidade que permite utilizar o mesmo projeto em diferentes anos do Ensino Fundamental.
Eleições na Escola para o 1º e 2º ano
Escolher, votar e contar
Com o 1º e o 2º ano, a atividade deve ser bastante visual, concreta e simples.
Nessa faixa etária, uma boa alternativa é realizar a eleição do mascote da turma.
O professor pode apresentar três ou quatro personagens ou animais e transformar cada um deles em uma opção de voto.
Também é possível fazer eleições como:
- livro preferido da turma;
- brincadeira para um momento especial;
- personagem;
- nome de um projeto;
- símbolo da turma;
- história que será lida posteriormente.
As opções podem ser acompanhadas de desenhos, imagens e nomes escritos em letras grandes, facilitando a identificação pelas crianças que ainda estão consolidando o processo de alfabetização.
Antes da votação, cada opção pode receber uma frase curta.
Por exemplo:
Coruja: “Quero uma turma que cuide dos livros.”
Cachorro: “Quero uma turma que ajude os amigos.”
Assim, mesmo em uma dinâmica bastante simples, a criança começa a perceber que existe algo para ser considerado antes da escolha.
Cada aluno recebe sua cédula, marca uma opção e deposita o voto na urna.
Depois, a turma pode acompanhar a abertura dos votos e ajudar na contagem.
O resultado pode ser representado utilizando o gráfico disponível no kit. Com as crianças menores, cada voto pode corresponder à pintura de um espaço no gráfico.
Nesse nível, o professor pode trabalhar principalmente:
- reconhecimento de nomes e imagens;
- comparação de quantidades;
- contagem;
- maior e menor quantidade;
- oralidade;
- expressão de preferências;
- respeito pela escolha dos colegas.
Depois da eleição, algumas perguntas podem ser feitas oralmente:
“Todos escolheram a mesma opção?”
“Podemos continuar amigos de alguém que escolheu diferente?”
“Qual opção recebeu mais votos?”
“Qual recebeu menos?”
“A opção que você escolheu ganhou?”
O mais importante é mostrar que cada criança pode fazer sua própria escolha e que escolhas diferentes podem conviver dentro da mesma turma.

Eleições na Escola para o 3º ao 5º ano
Propostas para melhorar a escola
Do 3º ao 5º ano, já é possível acrescentar mais elementos ao processo.
Em vez de escolher apenas um personagem ou objeto, os estudantes podem conhecer candidatos fictícios com propostas para melhorar a escola ou a rotina da turma.
Outra possibilidade é dividir os alunos em pequenos grupos e permitir que cada grupo desenvolva uma candidatura fictícia.
Os estudantes podem criar:
- nome do candidato ou da chapa;
- número fictício;
- símbolo;
- slogan;
- duas ou três propostas;
- cartaz de campanha;
- pequeno santinho;
- apresentação para a turma.
As propostas devem partir de situações próximas da realidade dos estudantes.
Alguns exemplos:
“Como podemos cuidar melhor dos livros da biblioteca?”
“O que podemos fazer para deixar o recreio mais agradável?”
“Como podemos diminuir o desperdício de materiais?”
“Que ações poderiam melhorar a convivência entre os alunos?”
“Como poderíamos deixar algum espaço da escola mais acolhedor?”
Cada grupo pode pensar em soluções e apresentá-las para os colegas.
Aqui começa um trabalho muito interessante: perceber que não basta dizer que fará algo; também é preciso explicar como a ideia poderia acontecer.
Depois das apresentações, cada estudante recebe seu título de eleitor fictício e sua cédula.
A votação pode ocorrer individualmente e o voto ser colocado na urna.
Após a abertura da urna, os alunos ajudam na contagem e no preenchimento do resultado.
Também é possível construir tabelas e gráficos com os dados obtidos.
No 4º e no 5º ano, o professor já pode estimular comparações como:
“Quantos votos a mais o primeiro colocado recebeu?”
“Qual foi a diferença entre duas candidaturas?”
“Quantos alunos participaram da eleição?”
“Todas as propostas apresentadas poderiam realmente ser realizadas?”
A atividade passa, portanto, a integrar leitura, produção escrita, oralidade e Matemática em uma única experiência.

Eleições na Escola para o 6º e 7º ano
Campanha, propostas e argumentação
No 6º e 7º ano, a eleição pode ganhar uma estrutura de campanha mais completa.
Os alunos podem ser organizados em grupos e criar chapas fictícias, assumindo diferentes funções dentro da atividade.
Cada chapa deverá identificar um problema ou necessidade relacionada à escola e desenvolver propostas para enfrentá-lo.
O planejamento pode incluir:
Qual problema queremos ajudar a resolver?
Qual é nossa principal proposta?
Por que ela é importante?
Quem seria beneficiado?
Como poderia ser colocada em prática?
Seria necessário dinheiro, autorização ou algum material?
Esse último ponto é especialmente interessante porque ajuda os estudantes a perceber que uma proposta precisa ser analisada para além de sua aparência inicial.
Uma ideia pode parecer interessante e, ainda assim, apresentar dificuldades para ser executada.
As candidaturas podem preparar cartazes e santinhos fictícios e participar de uma apresentação para a turma.
O professor também pode organizar uma pequena rodada de perguntas, garantindo que todos respondam às mesmas questões.
Por exemplo:
“Qual problema vocês consideram prioritário?”
“Como pretendem colocar a proposta em prática?”
“O que fariam caso a primeira ideia não pudesse ser realizada?”
“Como ouviriam os alunos que pensam diferente?”
Além dos candidatos, outros estudantes podem assumir funções durante a dinâmica.
O kit apresenta crachás para:
- eleitor;
- candidato;
- mesário;
- fiscal da turma;
- equipe de apuração;
- imprensa da turma.
Dessa forma, mesmo o aluno que não deseja participar de uma candidatura pode assumir uma responsabilidade dentro da atividade.
No momento da apuração, os estudantes podem registrar os votos, comparar os resultados e produzir gráficos.
Após a eleição, o professor pode promover uma roda de conversa sobre a experiência.
O debate pós-eleição é fundamental para que a atividade não termine simplesmente com a divulgação de quem recebeu mais votos.

Eleições na Escola para o 8º e 9º ano
Voto consciente, argumentação e análise das propostas
Com os estudantes do 8º e 9º ano, a atividade pode alcançar um nível maior de análise.
Nesse caso, a eleição simulada pode ser organizada em torno de problemas e necessidades da própria comunidade escolar.
Os estudantes podem observar seu cotidiano e identificar situações que poderiam ser melhoradas.
Depois, cada grupo desenvolve uma candidatura fictícia e apresenta propostas.
Entretanto, a proposta não deve responder apenas à pergunta:
“O que queremos fazer?”
Os alunos também precisam pensar:
Por que isso é necessário?
Quem seria beneficiado?
Quais recursos seriam necessários?
Depende de autorização?
É possível realizar essa proposta?
Existem possíveis dificuldades ou consequências?
Esse aprofundamento permite trabalhar a diferença entre uma ideia que simplesmente parece atraente e uma proposta que apresenta justificativa, planejamento e possibilidade de execução.
A apresentação dos candidatos também pode assumir o formato de um pequeno debate.
É importante que as condições sejam as mesmas para todos: mesmo tempo de apresentação e perguntas semelhantes.
Após ouvir as candidaturas, cada estudante realiza sua escolha individualmente.
Com a abertura da urna, os dados da eleição podem ser utilizados também nas aulas de Matemática.
Além do número absoluto de votos, os alunos podem calcular:
- porcentagem de votos de cada opção;
- diferença entre candidaturas;
- total de participantes;
- representação gráfica dos resultados.
Depois, a turma pode discutir questões mais complexas:
“Uma proposta muito popular é necessariamente uma proposta possível?”
“Quais critérios você utilizou para fazer sua escolha?”
“Você modificou sua opinião depois de ouvir as apresentações?”
“Como devemos agir quando o resultado coletivo é diferente da nossa escolha?”
“Como respeitar a decisão da maioria sem desconsiderar quem pensa diferente?”
Essas perguntas ajudam a transformar a votação em uma oportunidade para desenvolver argumentação, análise, escuta e responsabilidade nas decisões coletivas.

A importância do momento depois da votação
Um dos pontos mais importantes desta atividade acontece depois que os votos são contados.
É comum imaginar que uma eleição termina quando o resultado é anunciado. Pedagogicamente, porém, esse é um excelente momento para continuar a aprendizagem.
Alguns estudantes terão escolhido a opção vencedora. Outros, não.
Essa situação permite discutir algo que faz parte de qualquer decisão coletiva: nem sempre o resultado final será aquele que cada pessoa desejava individualmente.
Por isso, o professor pode conversar sobre sentimentos, respeito, convivência e diferentes opiniões.
Nos anos iniciais, as perguntas podem ser simples:
“Podemos ficar bravos com um amigo porque ele escolheu diferente?”
“O candidato em quem você votou venceu?”
“O que você mais gostou de fazer?”
Nos anos finais, é possível aprofundar:
“Por que é importante poder escolher sem pressão dos colegas?”
“Que critérios você utilizou para avaliar as propostas?”
“Uma boa campanha significa necessariamente uma boa proposta?”
“Como respeitar um resultado coletivo sem deixar de expressar uma opinião diferente?”
Assim, o foco deixa de ser apenas quem ganhou e passa a ser também o que a turma aprendeu durante o processo.
Uma atividade interdisciplinar e adaptável
Uma das vantagens desta proposta é a possibilidade de trabalhar diferentes componentes curriculares em uma única experiência.
Em Língua Portuguesa, os alunos desenvolvem leitura, escrita, produção de propostas, slogans, argumentação, oralidade e escuta.
Em Matemática, podem trabalhar contagem, comparação de resultados, organização de dados, tabelas, gráficos e porcentagens nos anos finais.
Em História, a atividade permite abordar participação social, cidadania, direitos, responsabilidades e formas de organização coletiva.
Em Geografia, pode envolver a análise de problemas e necessidades da escola ou da comunidade, como uso dos espaços, acessibilidade, meio ambiente e convivência.
Em Arte, os alunos podem criar cartazes, símbolos, santinhos, ilustrações e outros materiais visuais para a campanha.
Em Ciências, podem ser desenvolvidas propostas relacionadas a temas como lixo, água, áreas verdes, sustentabilidade e cuidados com o ambiente escolar.
Também é possível incluir tecnologia e cultura digital, com produção de apresentações, cartazes digitais, vídeos ou gráficos.
O projeto pode ser realizado em etapas, por exemplo:
1ª aula: apresentação da proposta e organização das candidaturas;
2ª aula: elaboração das propostas;
3ª aula: produção dos materiais de campanha;
4ª aula: apresentações, votação e apuração;
5ª aula: análise dos resultados e reflexão.
O professor também pode fazer uma versão reduzida, utilizando apenas as etapas que fizerem sentido para a turma.
O que acompanha o Kit Eleições na Escola?
Para facilitar a aplicação da proposta, o material foi preparado com diferentes recursos imprimíveis.
O kit contém:
- cartaz “Hoje é dia de eleição!”;
- ficha de inscrição dos candidatos;
- cartão para elaboração do plano de propostas;
- santinho eleitoral fictício;
- cartaz de campanha;
- roteiro para apresentação dos candidatos;
- cédulas de votação;
- título de eleitor fictício;
- urna de papel para recortar e montar;
- lista de eleitores;
- folha para registro dos votos;
- ficha de apuração;
- gráfico para registrar o resultado;
- certificado de participação;
- questões de reflexão para os anos iniciais;
- questões de reflexão para os anos finais;
- crachás de funções para organizar a dinâmica.
O professor pode imprimir o kit completo ou selecionar apenas as páginas necessárias para a dinâmica escolhida.

Mais do que votar: aprender a participar
A proposta Eleições na Escola foi criada para transformar um tema que poderia ser trabalhado apenas de maneira teórica em uma experiência concreta, organizada e significativa.
Ao preparar uma candidatura, ouvir ideias, analisar propostas, fazer uma escolha, participar da votação, acompanhar a apuração e conversar sobre o resultado, os alunos assumem diferentes papéis e aprendem fazendo.
Para os pequenos, tudo começa com algo simples: escolher e respeitar a escolha do outro.
Conforme avançam nos anos escolares, entram em cena a elaboração de propostas, a argumentação, a análise da viabilidade, a interpretação dos resultados e a reflexão sobre decisões coletivas.
Dessa forma, a mesma atividade acompanha diferentes etapas do Ensino Fundamental, mantendo seu caráter lúdico e participativo, mas aumentando gradualmente a complexidade.
Mais do que descobrir qual opção recebeu mais votos, a proposta convida a turma a compreender que participar de uma decisão coletiva também significa ouvir, pensar, escolher, argumentar e respeitar.



