A República chegou; E a democracia? Esta atividade de História para o 8º e o 9º ano propõe uma análise crítica da Proclamação da República e dos primeiros anos do regime republicano no Brasil. Por meio de textos históricos, interpretação de documentos e situações-problema, os alunos investigam a Constituição de 1891, os limites do direito ao voto e o coronelismo, em um material pronto para usar, com tudo para sala de aula.
A proposta permite ao professor trabalhar mudanças e permanências na passagem da monarquia para a República, distinguindo a existência de eleições da participação democrática efetiva. As questões integram leitura, análise de fontes, associação de conceitos e produção argumentativa, com gabarito comentado e alinhamento à BNCC.
Questões
Texto 1 — Uma mudança de regime
Em 15 de novembro de 1889, um movimento liderado por militares, com apoio de grupos civis, encerrou a monarquia no Brasil. Começava a Primeira República (1889–1930). A mudança não foi decidida por votação popular.
A República alterou a forma de governo e retirou o monarca do poder, mas não garantiu participação política igual para todos. Por isso, estudar o período exige distinguir república (forma de organizar o Estado) de democracia (participação política e exercício de direitos).
1) Qual interpretação é mais adequada ao início da República brasileira?
(A) Toda a população passou imediatamente a escolher os governantes.
(B) A mudança de governo não garantiu cidadania política para todos.
(C) A Proclamação eliminou as desigualdades sociais.
(D) A Constituição manteve o país como monarquia.
2) Explique por que a Proclamação foi uma mudança importante, mas não representou democratização imediata.
Texto 2 — A Constituição de 1891
A Constituição de 1891 instituiu o presidencialismo, o federalismo e a separação oficial entre Estado e Igreja. Os estados ganharam autonomia, e o antigo Poder Moderador deixou de existir.
Porém, as regras eleitorais mantiveram muitas exclusões: o artigo 70 impedia o alistamento de pessoas analfabetas, mendigos, determinadas categorias de militares e integrantes de certas ordens religiosas.
O direito de voto das mulheres não foi reconhecido efetivamente, embora o texto constitucional não as proibisse de modo expresso. A votação não era protegida por sigilo como nas eleições atuais.
3) Complete as frases com os conceitos: federalismo • presidencialismo • Estado laico.
a) O chefe do Poder Executivo nacional é um presidente: ____________________________.
b) Os estados possuem autonomia política: ______________________________________.
c) Não existe religião oficial do Estado: ________________________________________.
4) Marque V (verdadeiro) ou F (falso), conforme o Texto 2.
( ) A Constituição republicana extinguiu o Poder Moderador.
( ) O Estado e a Igreja permaneceram oficialmente unidos.
( ) Pessoas analfabetas estavam excluídas do alistamento eleitoral.
( ) O voto da época já tinha as mesmas garantias de sigilo de hoje.
( ) A nova Constituição assegurou o voto igualitário às mulheres.
Documento histórico — Constituição de 1891
“São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei.”
Artigo 70, com redação atualizada para fins didáticos.
5) Por que a expressão “são eleitores os cidadãos” não significava que todos podiam votar?
Texto 3 — Quem mandava nas eleições?
Na Primeira República, muitos municípios eram influenciados por lideranças conhecidas como coronéis. Proprietários rurais e outros chefes locais podiam controlar empregos, favores e relações de dependência.
Essa influência, chamada coronelismo, ajudava a dirigir resultados eleitorais, por meio de pressões, acordos, ameaças ou fraudes.
O voto de cabresto era a imposição ou o direcionamento do voto, especialmente onde os eleitores não conseguiam escolher em liberdade. Ter eleições, portanto, não era sinônimo de ter uma democracia ampla e livre.
6) Associe os conceitos às definições. Use os números de 1 a 4.
1 – Coronelismo
2 – Voto de cabresto
3 – Federalismo
4 – Cidadania política
( ) Autonomia política de estados em um país federativo.
( ) Possibilidade de participar de decisões e exercer direitos políticos.
( ) Poder e influência de chefes políticos locais.
( ) Pressão para votar em candidato escolhido por outro.
Situação hipotética — 1912
Em uma comunidade fictícia de 1912, um grande proprietário avisa que os trabalhadores que não apoiarem seu candidato poderão perder o emprego. Ao mesmo tempo, oferece transporte aos que prometem votar no indicado.
7) Identifique duas formas de influência política presentes na situação e explique o problema democrático.
8) Reescreva a afirmação abaixo, corrigindo o erro histórico:
“Na Primeira República, a existência de eleições garantia que todos escolhessem seus representantes de forma livre.”
Texto 4 — Participar também é reivindicar
Mesmo quando não podiam votar, pessoas e grupos sociais buscavam participar dos debates públicos.
Trabalhadores organizavam associações e greves; mulheres reivindicavam direitos; pessoas negras criavam jornais e organizações para enfrentar desigualdades no pós-abolição.
Essas ações mostram que participação política não se resume ao voto, embora o direito de escolher representantes seja fundamental.
Assim, a Primeira República combinou mudanças institucionais com permanências autoritárias e desigualdades sociais.
9) Classifique cada exemplo com E (participação eleitoral) ou S (participação social). Depois, justifique a importância dessas ações.
a) ( ) Uma associação de trabalhadores reivindica melhores condições de trabalho.
b) ( ) Uma pessoa alistada escolhe seu candidato em uma eleição.
c) ( ) Um jornal da população negra denuncia discriminação.
d) ( ) Um grupo de mulheres organiza um abaixo-assinado por direitos.
Por que a participação política pode ocorrer também fora das eleições?
10) Produza um pequeno editorial (5 a 7 linhas) respondendo à pergunta: “A República chegou. E a democracia?”
Inclua a mudança de 1889, um limite do voto na Constituição de 1891 e uma prática do coronelismo. Apresente uma conclusão própria.



