Confira a atividade sobre Trovadorismo, elaborada para o Ensino Médio, com gabarito e alinhada à BNCC. Pronta para usar, com tudo para sala de aula.
Esta proposta busca desenvolver a análise crítica dos textos literários medievais, explorando suas relações com o contexto histórico, social e cultural de produção. Além disso, incentiva o estudante a reconhecer características estruturais e estilísticas das cantigas (amor, amigo, escárnio e maldizer), promovendo interpretação aprofundada, comparação entre gêneros e reflexão sobre permanências e transformações na literatura ao longo do tempo, em uma abordagem com nível de exigência semelhante ao vestibular.
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Questões
1) Leia a cantiga abaixo:
“Cantiga da Ribeirinha” – Paio Soares de Taveirós
No mundo nom me sei parelh'
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós e ai,
mia senhor branc'e vermelha!
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei
que vos entom nom vi fea!
E, mia senhor, des aquelh'
dia, me foi a mi mui lai.
E vós, filha de dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
d'haver eu por vós garvaia?
Pois eu, mia senhor, d'alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d'ũa correa.
a) Identifique o tipo de cantiga e justifique com base em elementos do texto.
b) Relacione o eu lírico à estrutura social medieval.
c) Explique o ideal de amor presente no texto.
2) Leia a cantiga completa:
D. Dinis
Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss'amigo
e eu bem vos digo que é san'e vivo.
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss'amado
e eu bem vos digo que é viv'e sano.
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é san'e vivo
e será vosco ant'o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é viv'e sano
e será vosc[o] ant'o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
Assinale a alternativa correta:
a) É uma cantiga de amor com idealização feminina.
b) É uma cantiga satírica com crítica social.
c) É uma cantiga de amigo com estrutura dialogal e paralelismo.
d) É uma cantiga narrativa épica.
e) Não apresenta musicalidade.
3) Com base na cantiga da questão anterior:
a) Explique o efeito da repetição “Ai Deus, e u é?”.
b) Relacione esse recurso à oralidade medieval.
4) Leia a cantiga:
João Garcia de Guilhade
Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv'en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes atam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
a) Classifique o tipo de cantiga.
b) Explique o recurso de ironia presente.
c) Compare com a cantiga da questão 1 (diferença de visão da mulher).
5) Leia a cantiga:
Lopo Lias
Rubrica:
Outrossi trobou a ũa dona, que nom havia prez de mui salva; e el disse que lhi dera de seus dinheiros por preit'atal que fezesse por el algũa cousa, e pero nom quis por el fazer nada; por en fez estes cantares de maldizer.
A dona fremosa do Soveral
há de mi dinheiros per preit'atal:
que veess'a mi, u nom houvess'al,
um dia talhado, a cas Dom Corral;
e é perjurada,
ca nom fez en nada;
e baratou mal,
ca desta negada
será penhorada
que dobr'o sinal.
Se m'ela crever, cuido-m'eu, dar-lh'-ei
o melhor conselho que hoj'eu sei:
dê-mi meu haver e gracir-lho-ei;
e se mi o nom der, penhorá-la-ei:
ca mi o tem forçado,
do corp'alongado,
nom lho sofrerei;
mais, polo meu grado,
dar-mi-á bem dobrad'o
sinal que lh'eu dei.
a) Identifique elementos que comprovem o ataque direto.
b) Diferencie escárnio e maldizer com base no texto.
6) Sobre o Trovadorismo:
a) Está ligado ao feudalismo.
b) Apresenta oralidade e musicalidade.
c) É marcado por valores burgueses.
d) Divide-se em lírico e satírico.
e) Reflete o contexto medieval.
7) Sobre as cantigas analisadas, responda:
a) Relacione a cantiga de amor com uma música atual.
b) Compare os sentimentos expressos.
8) As cantigas trovadorescas foram escritas em galego-português, língua medieval que apresenta diferenças significativas em relação ao português atual. Com base nas cantigas trabalhadas nesta atividade:
a) Identifique duas marcas linguísticas do português arcaico, considerando aspectos como vocabulário, ortografia ou construção sintática.
b) Explique o que essas marcas revelam sobre o processo histórico de formação da língua portuguesa.
c) Reescreva um verso de qualquer uma das cantigas apresentadas em português contemporâneo, mantendo o sentido original.
9) Analise a rubrica:
“...fez estes cantares de maldizer.”
a) Explique a função da rubrica.
b) Relacione com a circulação oral das cantigas.
10) Leia os dois trechos:
| Trecho A – Cantiga de amor (Paio Soares de Taveirós)“ca já moiro por vós e ai, mia senhor branc'e vermelha!” |
| Trecho B – Cantiga satírica (João Garcia de Guilhade)“dona fea, velha e sandia!” |
a) Compare a construção da figura feminina nos dois textos, considerando linguagem, idealização e função social.
b) Explique como essas diferenças refletem as duas vertentes do Trovadorismo (lírico e satírico).
c) Relacione essa oposição com o contexto histórico-social da Idade Média.
Habilidades trabalhadas
| Código | Descrição |
|---|---|
| EM13LP01 | Relacionar o texto, tanto na produção como na recepção, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor previsto, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.). |
| EM13LP47 | Analisar assimilações e rupturas no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos. |
| EM13LP48 | Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura. |
Gabarito da atividade de Trovadorismo
Atividade 1
a) Cantiga de amor; eu lírico masculino, idealização da mulher (“mia senhor”), sofrimento e submissão.
b) Relação semelhante ao feudalismo, com o eu lírico em posição de vassalo diante da dama.
c) Amor idealizado, distante e não correspondido, marcado por sofrimento e devoção.
Atividade 2
Alternativa C
Atividade 3
a) Refrão que reforça o lamento, a musicalidade e a emoção.
b) Facilita a memorização e reforça a oralidade das cantigas.
Atividade 4
a) Cantiga de escárnio.
b) Ironia: o eu lírico afirma elogiar, mas ofende (“fea, velha e sandia”).
c) Mulher idealizada na cantiga de amor versus mulher ridicularizada na satírica.
Atividade 5
a) Ataque direto, acusações explícitas e linguagem ofensiva.
b) Escárnio é indireto e irônico; maldizer é direto e explícito.
Atividade 6
Alternativa C
Atividade 7
a) Pessoal.
b) Permanência do sentimento amoroso; mudança na linguagem e na forma de expressão.
Atividade 8
a) Exemplos: “nom”, “mi”, “vos”, “ca”, “ũa”.
b) Indicam a evolução da língua portuguesa ao longo do tempo.
c) Exemplo: “ca já moiro por vós e ai” → “pois já morro por você, ai”.
Atividade 9
a) Contextualiza a cantiga e explica sua intenção.
b) Relaciona-se à circulação oral e à função social das cantigas.
Atividade 10
a) Mulher idealizada na cantiga de amor e ridicularizada na satírica.
b) Lírico idealiza; satírico critica e expõe.
c) Reflete a sociedade medieval hierárquica e patriarcal.



